A segurança ferroviária é um tema central para o desenvolvimento de um sistema de transporte eficiente, sustentável e seguro. É uma responsabilidade compartilhada entre operadoras, órgãos fiscalizadores, poder público e comunidades.
A segurança nas ferrovias protege vidas, previne danos ao meio ambiente e mantém o bem-estar das pessoas que vivem nos entornos da operação ferroviária.
Nos últimos anos, a tecnologia tem evoluído para aumentar a capacidade de prevenção de acidentes.
Contudo, os desafios ainda são significativos, já que o Brasil tem uma malha extensa e com trechos urbanos sensíveis, travessias irregulares, além do próprio comportamento individual de pedestres e motoristas.
Discutir segurança ferroviária é discutir o futuro do modal como um todo.

A segurança no transporte ferroviário começa pela manutenção frequente dos ativos e passa pela conscientização das pessoas que transitam nos entornos. O objetivo é preservar vidas e garantir a continuidade das operações que movimentam importantes insumos da produção nacional.
Sem medidas adequadas, a logística ferroviária pode sofrer interrupções, causando prejuízos econômicos à cadeia. Uma falha simples em um trecho de linha pode atrasar cargas agrícolas, de combustíveis e de bens industriais por milhares de quilômetros.
A segurança ferroviária também tem um papel importante na relação com a sociedade. Uma malha bem cuidada, com sinalização eficiente e fiscalização ativa, garante a convivência harmônica entre os trens e as comunidades vizinhas.
Em áreas com habitantes próximos aos trechos, o desafio da segurança se intensifica. Quando um acidente acontece, os efeitos se espalham rapidamente. Um descarrilamento, por exemplo, pode interromper o tráfego e causar riscos à saúde, especialmente se envolver cargas perigosas.
A ferrovia é parte da cultura e da economia local de muitas regiões. Por trás de um acidente, há a possibilidade de uma série de danos e impactos às comunidades do entorno.
Conscientes dessa responsabilidade, a Rumo intensifica seus esforços preventivos. Investimentos são feitos em equipamentos de última geração, como drones e sensores de monitoramento remoto, para identificar riscos.
Em 2023, a Rumo reduziu em 27% a taxa de acidentes ferroviários, posicionando a Companhia abaixo da média das ferrovias Class I americanas e canadenses, uma referência em segurança.
O fator humano ainda é crucial. Cada operadora ferroviária busca criar uma cultura de segurança para dialogar com a população e educar sobre a importância de comportamentos seguros.
Acidentes e falhas na operação prejudicam a previsibilidade das entregas e geram custos extras com reparos e paralisações. Um único incidente pode afetar outras composições, causando o chamado efeito cascata nos terminais ou ocasionando filas no trecho.
Além do risco para vidas humanas, esses acidentes têm um alto custo para as empresas. Há perdas associadas à interrupção de contratos, ao aumento no valor dos seguros e à realocação de recursos para gerenciamento de crises, além do custo para a reposição dos ativos danificados.
Em setores como o agronegócio, a eficiência é impactada pela perda de competitividade, já que um acidente pode atrapalhar no escoamento da produção.
As inspeções programadas, aliadas às tecnologias de detecção de falhas, ajudam a coibir esse impacto imensurável. O uso de IA de maneira preditiva é uma tendência crescente no setor de transporte para mitigar riscos.
Embora a ferrovia seja considerada um dos modais mais seguros, há entraves estruturais, regulatórios e sociais que ainda limitam seu potencial. A malha brasileira possui trechos antigos, com traçados que atravessam áreas urbanas densas e necessitam de sinalização adequada para alertar a população.
Esses obstáculos exigem soluções integradas entre o poder público e as concessionárias. O investimento em tecnologias de prevenção não será suficiente se o entorno permanecer vulnerável.
A segurança na ferrovia é um pilar para a consolidação do setor, e o cuidado de quem opera e fiscaliza resulta em um sistema mais eficiente e respeitado.
A infraestrutura é a base da segurança ferroviária. Quando a via permanente apresenta problemas ou os sistemas se tornam ultrapassados, o risco de falhas cresce exponencialmente.
Isso não acontece necessariamente por negligência ou falta de investimentos, mas muitas vezes por limitações históricas. Parte significativa da malha ferroviária do país foi construída há décadas, com tecnologias e padrões que não correspondem aos atuais.
Para se ter uma ideia, a malha ferroviária brasileira começou a ser implantada em 1854. A primeira ferrovia do país foi a Estrada de Ferro Mauá, no Rio de Janeiro.
Modernizar essas estruturas é mais do que adquirir novas tecnologias. É preciso redesenhar as ferrovias, aumentar os investimentos, implantar trilhos com maior resistência, alterar traçados e implementar centros integrados de controle.
Quando todas essas soluções são implantadas em conjunto, o tempo de resposta a incidentes diminui. Os operadores, assim, ganham mais visibilidade da malha e o transporte se torna mais seguro.
A modernização exige planejamento coordenado entre iniciativa privada e poder público. As medidas que podem acelerar esse processo são as políticas de fomento à renovação de trechos estratégicos e a atualização dos critérios de concessão.
No Brasil, órgãos como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) definem normas que as operadoras devem seguir. As concessionárias têm a responsabilidade de adotar planos de segurança eficazes e manter relatórios atualizados.
Para elevar o patamar da segurança do trabalho ferroviário no país, é importante revisar o marco regulatório ferroviário e fortalecer a atuação conjunta com as agências estaduais.
A Rumo disponibiliza, para acesso gratuito e online, um manual de regulamento operacional para revisitar todas as boas práticas nos trechos.
O erro humano é uma causa significativa de acidentes. Isso inclui, principalmente, a ação dos pedestres e motoristas e seus comportamentos imprudentes nos entornos da operação.
A capacitação e a percepção de risco contínua dos profissionais são pontos-chave para diminuir acidentes. Realizamos treinamentos práticos, simuladores e programas de reciclagem para a criação e consolidação de uma cultura de prevenção.
Além disso, quando falamos em conscientização das comunidades, o objetivo é educar. Mostrar quais as distâncias seguras, o que fazer e o que não fazer de forma didática, para que a população saiba também como evitar ser vítima de qualquer tipo de incidente.

A convivência entre os trechos ferroviário e a vida urbana exige diálogo, cooperação e infraestrutura adequada.
O desconhecimento de certos comportamentos pode levar a atitudes imprudentes, como se locomover em locais proibidos ou o descarte de resíduos na via. Por isso que falamos da conscientização como tão crucial quanto a preparação dos profissionais e os regulamentos operacionais.
Garantir a segurança também é garantir o direito de ir e vir das pessoas sem prejuízos ao seu bem-estar.
Travessias informais são um dos pontos mais críticos. Além disso, a falta de atenção e a utilização de fones de ouvido contribuem para o aumento de risco de ocorrência.
Esses locais consequentemente concentram a maior parte dos atropelamentos e abalroamentos.
Ocupações irregulares nas margens da ferrovia também representam riscos. A proximidade entre residências e as faixas de domínio aumenta a vulnerabilidade da comunidade e dificulta intervenções preventivas.
As redes sociais facilitaram a divulgação de materiais educativos em grande escala, como vídeos e campanhas de conscientização no trânsito. Ao mesmo tempo, não podemos nos esquecer da realidade de muitas famílias interioranas com maior dificuldade de acesso à internet, sendo utilizado outros tipos de campanhas, como panfletagens e carro de som.
A linguagem precisa ser acessível e direta, seja qual for à realidade local. É preciso fazer um trabalho online e offline.

Os avanços tecnológicos permitem respostas mais rápidas a incidentes e um monitoramento frequente que antecipa problemas.
As operadoras que investem em inovação ampliam a eficácia de seus programas de segurança, com impacto direto na redução de falhas operacionais.
Inovação, é claro, não substitui gestão. Ela potencializa as tomadas de decisões humanas e amplia a nossa capacidade de agir com precisão.
Sensores instalados ao longo da via conseguem detectar deslocamentos anormais, vibrações incomuns e temperaturas fora do padrão.
Esse tipo de informação é enviado em tempo real para os centros de controle, possibilitando correções rápidas.
A inteligência artificial ajuda a identificar padrões que antecedem falhas. Os dados coletados pela IA facilitam manutenções preditivas em vez das corretivas, gerando economia e aumentando a eficácia.
Além disso, os sistemas de monitoramentos de ferrovias contam com monitoramento por câmeras e drone em tempo real, oferecendo cobertura visual constante de trechos estratégicos e de ativos como rodas de vagões ou locomotivas.
Existem tecnologias que são embarcadas em locomotivas que funcionam como uma espécie de “piloto automático”. O Trip Optimizer está presente na nossa operação desde 2022.
O equipamento assume a condução do trem a partir de 19 km/h e passa a controlar a aceleração de todas as locomotivas da composição, levando em consideração o comprimento do trem, o peso dos vagões, qualidade e condições da vida.
É uma tecnologia que calcula a viagem ideal e aumenta a segurança da operação.
A integridade dos trabalhadores é outra base para uma operação segura. Seguimos normas rigorosas de segurança do trabalho, orientando sobre o uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), protocolos em caso de acidentes, bloqueios de vias e sinalização entre as equipes.
Cada colaborador da operação passa por treinamento de segurança, simulações de situação e reciclagens técnicas para aumentar o preparo.
Por fim, cada concessionária pode dispor no seu relatório de sustentabilidade um panorama de como foi o ano em relação a acidentes e quantos programas de incentivo à cultura de segurança foram realizados.
Fazer um ambiente seguro para as pessoas faz parte das normas para atuação e também fortalece o compliance e a imagem da companhia perante os stakeholders e a sociedade civil.
As leis determinam responsabilidades, definem padrões técnicos e orientam a atuação dos diferentes agentes envolvidos no setor ferroviário.
Avanços recentes no marco legal brasileiro têm buscado tornar o ambiente regulatório mais moderno e responsivo. Ainda há espaço para evoluir, especialmente na articulação entre esfera federal, estadual e municipal.
A fiscalização precisa acompanhar as transformações operacionais, e o poder público deve criar mecanismos que incentivem boas práticas e penalizem as negligências.
A ANTT é responsável por regular e fiscalizar o transporte ferroviário de cargas e passageiros no Brasil. Ela cria regras para as operadoras, verifica se os trilhos estão em boas condições e se os serviços estão dentro dos conformes.
A ANTT também é responsável pelos novos leilões ferroviários, além de fiscalizar os contratos de concessão e pedir por melhorias constantes na operação ferroviária nacional.
Com atualizações nos últimos anos, o marco legal das ferrovias define as regras para concessões, uso de faixa de domínio e mecanismos de fiscalização. Essas mudanças criam oportunidades para padronizar e reforçar a segurança na ferrovia.
Em relação às normas técnicas, é a ABNT que trata da sinalização, interoperabilidade e segurança do trabalho, traçando as obrigatoriedades para operadoras e prestadoras de serviço.
As empresas ferroviárias têm responsabilidade direta sobre a segurança operacional. Seus investimentos em tecnologia, treinamento e infraestrutura devem seguir parâmetros mensuráveis.
Concessionárias que desenvolvem planos de contingência, mantém auditorias atualizadas e atuam junto das comunidades melhoram seus próprios resultados e a imagem perante a opinião pública.
Já o poder público, por meio de parcerias e incentivos, pode acelerar projetos de impacto coletivo. A segurança ferroviária deve ser tratada como política de Estado, com metas de longo prazo e envolvimento multissetorial.
A segurança ferroviária é um desafio que exige colaboração entre operadoras ferroviárias, governos e comunidades locais.
Com regulamentações eficientes, tecnologia e conscientização, é possível reduzir riscos e garantir um transporte mais seguro e sustentável.
Para saber mais sobre a operação ferroviária, continue acompanhando os artigos do blog da Rumo.